BREVE HISTÓRICO DO PENSAMENTO AMBIENTAL MUNDIAL
Para se compreender melhor o avanço historiográfico em relação ao movimento ambientalista mundial, é preciso levar em conta as transformações ocorridas com o próprio conceito da História, no qual não caberia mais as meras narrativas e reproduções isoladas da História. Nascendo, portanto, a necessidade de uma reformulação em seus conceitos.
No inicio do século XX, com o debate entre filósofos, historiadores, sociólogos, e geógrafos corporificou-se a “revista de história, Annales d ‘Historie Economique et Sociale, fundada em 1929, por Lucien Febvre e Marc Bloch” .
A história nova surgiu em contraposição à linha positivista do século XIX. Marc Bloch e Lucien Febvre principais representantes deste movimento propunham transformações nos métodos e concepções historiográficos.
Antes de tudo, tirar a história do marasmo da rotina, em primeiro lugar de seu confinamento em barreiras estritamente disciplinares, era o que Lucien Febvre chamava, em 1932, de “derrubar as velhas paredes antiquadas, os amontoados babilônicos de preconceitos, rotinas, erros de concepção e de compreensão” .
Entre inúmeras discussões e controvérsias surge uma nova visão sobre a história, agora à luz das Ciências Sociais. O programa dos Annales tinha como proposta inicial uma interdisciplinaridade, e a partir daí surgiu uma nova concepção temporal. (REIS, 2000). O objeto de estudo da história deixa de ser
o passado propriamente dito, e o novo olhar da história tem com objeto “o homem, ou melhor, os homens, e mais precisamente os homens no tempo” .
A História influenciada pelas ciências sociais, nouvelle histoire, praticada pela Escola dos Annales, possibilitou não apenas a aproximação entre as outras ciências, mas, contudo a transformação do conceito de se fazer história.
Essa influência das ciências sociais fez com que a história rompesse com uma longa tradição e se renovasse completamente. Renova-se completamente não significa negar tudo que se fazia antes, mas submeter o que se fazia antes e um novo olhar, a novos problemas, a novos instrumentos, a novos fins.
A renovação da história e a interdisciplinaridade das ciências sociais promoveram intensas mudanças nas ciências humanas. “Muitas ciências modernizaram-se num setor particular de seu domínio, sem que por isso todo o seu campo fosse modificado” .Uma das primeiras ciências a ser renovada foi à geografia, desenvolvendo o estudo da geografia humana. Da junção ocorrida entre a história e a geografia, desde 1947, surgiu a “história geográfica”, na qual os estudiosos apontavam à importância de uma ciência para a outra, e a necessidade de um historiador pensar como um geógrafo e um geógrafo pensar como um historiador. (LE GOFF, 2005).
O estudo do meio ambiente, através de produções historiográficas munidos da geografia, contribui de forma significativa para reeducação da consciência ambiental, partindo do pressuposto que não cabe ao historiador apenas a reprodução dos fatos.
(...) o problema epistemológico da história não é apenas um problema intelectual e cientifico, mas também um problema cívico e mesmo moral. O historiador tem responsabilidades e deve “prestar contas”. Marc Bloch coloca assim o historiador entre os artesãos que devem dar provas de consciência profissional, mas, e aí está a marca de seu gênio ao pensar imediatamente na longa duração histórica, “o debate ultrapassa, em muito, os pequenos escrúpulos de uma moral corporativa (...)”.
SEU ESTA MUITO BOM E ESCLARECEDOR, VC TRAZ COISA NOVAS ACERCA DO MOVIMENTO AMBIENTALISTA MUNDIAL.
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